Listas de espera de meses, carência de médicos no rural, fugida dos médicos a outros estados… existe desde há tempo um alarme social sobre a falta de médicos no Estado espanhol. Perante esta contingência, decidiu-se ampliar o número de praças de Medicina e a abertura de novas faculdades. É esta umha soluçom para os problemas actuais?
Nom, por vários motivos:
- O tempo que se tarda em formar um profissional da Medicina é de 12 anos. Portanto, nom se aumentarám o número de médicos a curto prazo.
- O aumento do número de médicos também nom é a soluçom. Se há umha praça de ginecólogo num hospital, as listas de espera serám sempre igual haja 2 ou haja 100 ginecólogos especializados. O problema nom é por demanda, mas por oferta.
- Carece-se dum estudo prévio que diga qual é o verdadeiro problema.
- Todo aponta a que o verdadeiro problema é umha má distribuiçom dos médicos actuais, muitos deles ainda continuam em condiçons de trabalho deploráveis, com contratos de horas, dias ou, no melhor dos casos, semanas.
- A rigidez ante a mudança de especialidade (tendo que fazer de novo o MIR), fai com que haja especialidades sobreocupadas nas que é difícil encontrar trabalho e outras nas que nom há efectivos avondo.
- Temos umha circunscriçom universitária única para todo o Estado, apesar de a potestade para abrir novas faculdades residir nas Comunidades Autónomas. Aproveitando-se disto, muitas autonomias (ou mesmo concelhos que insistem às autonomias), projectam fazerem faculdades de Medicina por “caché”, porque dá esplendor a umha universidade ou por benefícios eleitorais, sem pensar em se é ou nom ajeitado.
- A maior parte das praças e faculdades novas som de carácter privado, em muitos casos associando-se a hospitais públicos e gastando recursos de todos em benefício duns poucos.
- Muitas das faculdades privadas terám um carácter ideológico mui marcado. Por exemplo, a Universidade Católica de Valência tem entre os seus objectivos a evangelizaçom dos estudantes.
- Nom se sabe como farám com as praças MIR, podendo ter episódios como o da geraçom dos 80, onde houvo 10.000 médicos a optar por 2.000 praças.
- No nosso caso, o da Universidade de Santiago de Compostela (como na maioria), o aumento de praças fará-se a custo 0. Isto é, se agora temos poucos recursos, aulas massificadas, práticas escasas e com grupos exacerbadamente grandes, carência de material de práticas, coincidência de práticas distintas à mesma hora por má coordenaçom… como será isto com 100 alunos mais?
Perante isto, pretendemos:
- Que se faga um estudo prévio das necessidades.
- Que se detenha o aumento actual de praças e a abertura de novas faculdades até dispor dos dados do antedito estudo.
- Que nom se aumente o número de praças a custo 0, senom aumentando proporcionalmente os orçamentos e recursos.
- Puxar pola universidade e sanidade públicas.
Por todo isto, instamos a todo o mundo a assistir o vindouro dia 28 de Abril às 12.00 do meio-dia à concentraçom de batas brancas na praça do Obradoiro, enfrente da Catedral de Santiago, ou, se isto nom for possível, à concentraçom de apoio que terá lugar paralelamente diante do Complexo Hospitalário Universitário de Santiago (CHUS).
POM A BATA E SOMA-TE A NÓS!
