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Lexicologia Galega III - Apelativos carinhosos/amigáveis

De homem para homem:

–> Meu: Indica um grau de amizade dum homem para outro. Olá meu! Como che vai, meu?
–> Neno: Usado sobre todo na Crunha. Costuma significar o mesmo que meu.

De homem para mulher:

–> Rula/Rulinha: Apócope de parrula, dito normalmente dum homem à sua namorada.
–> Princesa: Dum homem para umha mulher, dito cara a namorada dum ou com gesto sobranceiro.
–> Nena: Normalmente implica um comportamento fachendoso. Nom é umha moto, é umha chopper nena!
–> Rapariga/Moça: Significado parelho ao de nena.

De mulher para ambos:

–> Carinho: É mais comum ouvi-lo dumha mulher para um homem, ainda que também é usado por um homem para a sua namorada. Indica afectividade.
–> Peque/Pequena/Pequeno: Indica afectividade, é comum em amizades fortes entre homem e mulher ou duas mulheres.
–> Ghuapo/Guapo -íssimo: Idêntico a ghuapa.

De ambos para mulher:

–> Chula/Chulinha: Neste caso tem significado de guapa, riquinha. O masculino normalmente tem significado despectivo.
–> Neninha: Significado semelhante ao de chulinha. Nom confundir com nena.
–> Guapa/Ghuapa -íssima: Parecido a chulinha. Ás vezes pode ter matiz sobranceiro quando dito por um homem.

NOTA: Tio e Tia som claros castelhanismos. Nom me metim em apelativos de parelha, que haveria milheiros e cada casal tem o seu próprio.

Lexicologia Galega II - Nom me rales!

-> Hoje vamos explicar as diferenças entre estas três palavras e aprender como se diz em galego correctamente o modismo espanhol “no me rayes”. Há em galego várias palavras que, por vezes, som usadas nesse contexto com maior ou menor acerto; antes de nada, vamos vê-las por separado e mirar o seu significado:

Ralhar v. i. (1) Repreender alguém em voz alta. (2) Desabafar a cólera em repreensões, censuras, ameaças [lat. rabulare].

Raiar1 v. i. (1) Emitir raios luminosos, radiar. (2) Despontar no horizonte, vir aparecendo: raiar o dia. (3) Fig. Surgir, manifestar-se. Raiar o dia, raiar o sol: despontar o dia. v. tr. Pôr a teia ao sol para que branquee. Sinóns. Brilhar, cintilar, irradiar, resplandecer, surgir [lat. radiare].

Raiar2 v. tr. (1) Traçar riscas ou raias em. (2) Riscar, estriar. v. i. Tocar as raias ou limites, aproximar-se de [de raia].

Ralar v. tr. (1) Friccionar contra o ralador. Esmagar. Triturar, moer. (2) Fig. Atormentar, afligir, consumir, amofinar [de ralo].

Relar v. tr. (1) Tascar o linho passando-o polo relo. (2) Carcomer a traça fazendo pó uma cousa, especialmente as patacas e as verças para o caldo. (3) Esmiuçar, esfaragulhar. Rilhar. (4) Importunar.

Rilhar v. tr. (1) Cortar polo miúdo algo com os dentes. Trincar. (2) Ir triturando e comendo algo duro. Roer. (3) Bater os dentes. (4) Tirar a carne aos ossos com os dentes. (5) Quitar superficialmente uma cousa. (6) Murmurar algo polo baixo. (7) Fig. Suportar, aguentar. (8) Fig. Afligir, inquietar, atormentar [lat. vulg. *ringulare].

-> Agora vamos ver o seu significado figurado na expresom:

Nom me ralhes! -  Nom me berres, nom me rifes.

Nom me raies! - Nom emitas raios dirigidos a mim, nom me risques, nom me debuxes raias.

Nom me rales! - Nom me atormentes, deixa-me em paz.

Nom me reles! -  Nom me esmiuces, nom me fagas pó.

Nom me rilhes! - Nom me cortes com os dentes,  nom me atormentes, nom me suportes.

-> Entom, qual é a opçom correcta?

O correcto como traduçom para o galego de No me rayes! é Nom me rales! ou Nom me rilhes! (ou mesmo Nom me reles!, se considerarmos relar umha variante de ralar.) Nom obstante, a opçom prioritária deve ser Nom me rales!, por motivos etimológicos, coincidência com outras variantes da nossa língua e evitar no máximo más interpretaçons (relar e rilhar som esmagadoramente mais usados no sentido literal, o que pode levar a confusom).

Fontes: 

http://www.agal-gz.org/estraviz/

http://falaresdanossalingua.blogspot.com

Lexicologia Galega I - Cago em…

As seguintes frases começam com a asseveraçom Cago em, que pode ser lido como Cago em ou Cagho em, dependendo da variante diatópica da fala e do ênfase da frase. Entre colchetes acrescento os termos que se podem engadir à frase para enfatizá-la ainda mais.

Cago na cona [que te fijo, que te botou, que te pariu, bendita]
Cago na parteira [negra] <Parteira é sinónimo de cona>
Cago na puta [que te pariu, que te fijo]
Cago na nai/mai [que te pariu, que te fijo]
Cago no demo
Cago em Dios
Cago em Cristo
Cago nos cravos de Cristo
Cago na Virghem [bendita]
Cago no butano <Aportaçom de Miro Pereira ao léxico galego>
Cago no mundo <Nom confudir com Cago no El Mundo>
Cago na hóstia [bendita]
Cago na burocracia <Vai fazer gestons à Xunta, vai…>
Cago no exame [do caralho] <Vai a umha biblioteca em época de exames>
Cago em todo
Cago em tu puta madre
Cago em tu duramadre <Variante friki-médica da anterior>
Cago nas costas <Frase que dim os que visitam Vigo por primeira vez>
Cago em ti

Lembrar que, nalguns casos, o elemento Cago em pode nom aparecer, ficando frases como puta que te pariu ou cona que te botou. E, para rematar, dizer que podes criar as tuas próprias frases dum jeito singelo: Imprime e recorta o seguinte modelo e preenche-o como bem che pareça.

Cago em/no/na ……………………………………………………………….

[Agradece-se que nos amostres as tuas frases colocando-as nos comentários]

Manual galego de língua e estilo

Há pouco tempo comprei o livro “Manual galego de língua e estilo”, apesar dos 25 ouros que me estafárom por ele. Desde aqui recomendo-lho a todo o mundo que queira falar bem, pois é útil e singelo de utilizar. O tema é que, após lê-lo, tomei umha determinaçom: Abandonar a escrita do galego que estava usando até o momento (-ão, -ães, -ões, uma…) para cingir-me o mais possível à norma que promovem desde esse livro como modelo culto. E tenhem razom, de nada serve dar passos para adiante sem resolver nada. Umha escrita demasiado “aportuguesada” (dentro do âmbito no que nos movemos), pode provocar rejeiçom no grosso da gente, e, contodo, é percebida polos demais lusófonos como parte do seu.

A partir de agora, usarei a norma que proponhem como culta, salvando as seguintes licenças:

- “Tens, vens e pons” em lugar de “tés, vés e pós”.
- “Digo, dizes, diz, dizemos, dizedes, dizem” em lugar de “digo, dis, di, dizemos, dizedes, dim”.
- “Acougo, acougar, desacougo” em lugar de “sossego, sossegar, desassossego”.

Na oralidade, dizer “irmao, cirurgiao, aldeao, vao, sao…” às vezes nom me sai natural. Nom obstante, vejo correcto fazê-lo e tenderei a fazê-lo por ser mais correcto com a etimologia e fazer diferença nos singulares que som iguais no português padrão, apesar de terem plurais diferentes:

-ANUM: Irmao (port. irmão) -> Irmaos (port. irmãos)
-ANEM: Alemám (port. alemão) -> Alemáns (port. alemães)
-ONEM: Camiom (port. camião) -> Camions (port. camiões)

Do mesmo jeito que na segunda pessoa do singular do pretérito dos verbos “andaste, comeste, partiste”, onde que costumo a pronunciar “andache, comeche, partiche”, e estimo correcto dar prioridade à pronúncia -ste.

Nota: Como eu sou assim, às vezes também me redigirei na norma do português de Portugal com algumas variantes galegas (pola ao invés de pela, trevoada…)

Codificaçom do Galego Reintegrado

Para a codificaçom do Galego norma RAG temos o código gl_ES, mas… qual deveria ser o código para o Galego norma AGAL?

As possibilidades som várias: gl_GZ, pt_GZ, pt_ES e gl_PT.

- Como a codificaçom deve ser do tipo xx_YY, sendo xx o identificador do idioma (segundo a ISO 639-1) e YY o do território (segundo a ISO 3166-1), acho que de primeiras devemos rejeitar gl_PT, pois se trata dumha norma da Galiza, e nom de Portugal.

- Entom restam três possibilidades, gl_GZ, pt_GZ e pt_ES. Dessas acho que gl_GZ seria inexacta. Para começar nom contamos com a codificaçom ISO 3166-1 GZ para o território (lembremos que nom implica nada, Gibraltar ‘GI’ e Gronelândia ‘GL’ tenhem um e nom som países independentes, e mesmo existe umha reserva especial com restriçons para Ceuta e Melilla ‘EA’ e as Ilhas Canárias ‘IC’). Entom a opçom que restaria seria pt_ES, português da Espanha.

- Ainda assim, deveríamos puxar polo reconhecimento do nosso território, GZ. Umha vez for legalizado, restaria escolher a codificaçom do idioma, gl ou pt. Se for chamado gl_GZ daria a impresom de língua aparte, separada do português. Para aceitar a opçom gl_GZ deveria mudar o nome internacional da língua, polo que teriamos gl_PT e gl_BR no canto dos actuais pt_PT e pt_BR. Mas isto nom vai mudar… seria melhor recorrer ao nome que já tem e referir-nos a ele como pt_GZ, português da Galiza. (gl_GZ poderia ficar para o galego norma RAG).

- Umha opçom de consenso poderia ser, depois de muito trabalho e colaboraçom com entidades portuguesas, que a nossa língua for chamada internacionalmente Galego-Português, trocando a representaçom ISO 639-1 pt por gp, e tendo assim gp_PT, gp_BR e gp_GZ.

- Portanto, as três opçons possíveis seriam pt_ES, pt_GZ e gp_GZ. A primeira deveria ser rejeitada, pois é inexacta a respeito do território. A soluçom ideal seria pt_GZ, ainda que seria preferível mudar o ISO 639-1 do pt para gp ou, porquê nom, para gl.

Documental “Línguas cruzadas”

Vendo o documental “Fronteiras”, viu-me à memória este outro documental emitido na Galega o 17 de maio. “Línguas cruzadas” trata da situaçom do galego na sociedade, especialmente entre a mocidade.

Documental “Fronteiras”

Via Chuza! inteiro-me de que já está disponível para ver na rede o magnífico documental “Fronteiras”. Nele fala-se da situaçom do galego no território conhecido como “Galiza irredenta”. Recomendo que o veja todo o mundo, pois é mui bom e se descobrem muitas cousas. Para quem quiser saber mais do tema, recomendo que leiam este dossier feito por Nós-UP.

Galego-italiano, galego-francês, galego-catalão…

Eu tinha na cabeça desde há tempo fazer algo assim, mas adiantou-se-me a revista Constantinopla no seu último número (que podes descargar aqui). A cousa é: temos duas correntes para a escrita do galego; desde um ponto de vista objectivo uma usa a norma do castelhano (ñ, ll, camión, fe, operario, lazo…) também chamado “normativo”, “isolacionista”, “ILG-RAG”… e o que usa a norma do português (nh, lh, camiom/camião, fé, operário, laço…) também chamado “reintegracionista”, “lusista”, “máximos”… NOM existe um galego com ortografia própria. Existem uma normativa etimológica (a escrita etimológica corresponde-se com a do português padrom com alguma lógica variante) e a [supostamente] foneticista (em realidade decalcada do castelhano, com contradições como o uso de gue/gui sem existirem nesa norma os grupos ge/gi).

Uns defendem uma, uns outra, mas… que teria sido do galego se em lugar do castelhano, a língua imposta fosse o francês, o italiano ou o catalão? Como seria essa norma “isolacionista” que defenderiam para o galego?

Podes ver como seria a escrita e comprovar com o sintetizador de voz “Loquendo” como, sotaques aparte, no oral em todos os casos diz exactamente o mesmo.

Galego português (ou norma reintegracionista)

Chovia. Quigem apurar, mas o caminho ficara cheio de folhas de carvalho e escorreguei. Agarrei-me a umha póla, mas estava podre e quebrou. Afinal caim de focinhos, batendo contra umha pedra, e rompendo quatro costelas.

Ouvir no sintetizador de voz “Loquendo” - Lang=Portuguese (Portugal)

Galego castelhano (ou “normativo”)

Chovía. Quixen apurar, mais o camiño ficara cheo de follas de carballo e escorreguei. Agarreime a unha póla, mais estaba podre e quebrou. Afinal caín de fociños, batendo contra unha pedra, e rompendo catro costelas.

Ouvir no sintetizador de voz “Loquendo” - Lang=Spanish (Spain)

Galego catalão

Txovia. Quixen apurar, mas o caminyo ficara txeo de follas de carballo e escorreguei. Agarrei-me a un·na pòla, mas estava podre e quebrou. Afinal cain de focinyos, batendo contra un·na pedra, e rompendo quatro costelas.

Ouvir no sintetizador de voz “Loquendo” - Lang=Catalan

Galego francês

Tchovia. Quichein apourar, masse o camignau ficara tcheo de fauillasse de carvaillau et escorreguey. Agarrey-me a oung-a pôla, masse estava pòdres et quebrôou. Afinal caïn de fozignosse, bateindo contra oung-a pèdra, e rompeindo quatro costellasse.

Ouvir no sintetizador de voz “Loquendo” - Lang=French

Galego italiano

Ciovia. Chiscen apurar, mas o cammigno ficara ceo de foglias de carbaglio e escorreghei. Agarreime a unna pola, mas estaba podre e chebrou. Afinal cain de fozignos, batendo contra unna pedra, e rompendo quattro costelas.

Ouvir no sintetizador de voz “Loquendo” - Lang=Italian

Normas acrescentadas por mim:

Galego euskara

Txobia. Kixen apurar, mas o kamino fikara txeo de foilas de karbailo e escorregei. Agarrei me a un-a pola, mas estaba podre e kebrou. Afinal kain de fozinos, batendo kontra un-a pedra, e rompendo kuatro kostelas.

(o euskara nomestá disponível no sintetizador “Loquendo”)

Galego esperanto

Ĉovia. Kiŝen apurar, mas o kaminjo fikara ĉeo de foljas de karvaljo e eskoĥregej. Agaĥreime a ung-a pola, mas stava podre e kebroŭ. Afinal kain de fozinĵos, batendo kontra ung-a pedra, e ĥrompendo kuatro kostelas.

(o esperanto nom está disponível no sintetizador “Loquendo”)

PGL - AGAL

http://www.agal-gz.org/

Que seria de mim sem esta página? Com ela começou tudo. Achava-me eu em primeiro de Bacharelato na aula de língua galega como tantas outras vezes. Eu já tinha visto por aí pintadas nacionalistas no que eu cria português, cousa que me estranhara, e tinha-me queixado de que a gente da minha idade, sem conhecimento de causa, começara a escrever “nh” em lugar de “ñ”. A minha reacçom era “doi-me que em galego usemos o “ñ” castelhano, mas é a ortografia galega e hai que respeitá-la”. Mas esse dia aclararam-se-me as ideias. Ali estava, numa listagem de siglas com o seu significado, uma que me chamou a atençom. Dizia “AGAL: Associaçom galega da língua”. Perguntei-lhe ao mestre por que uma academia da língua galega escrevia em português, e ele contestou: “Nom é português, é galego reintegrado. Uma corrente que promulga escrever com ortografia portuguesa. Som poucos, mas metem muito ruído”. E foi nesse instânte, nesse preciso instânte, quando tudo cambiou. Essa mesma tarde, no computador dum amigo (eu daquela nom tinha internet), procurei “AGAL”et voilá… cheguei ao PGL.

Baixei-me todas as descargas que pudem, e depois na minha casa li-as. Estava escrito raro, mas nom me custava entendê-lo. A minha primeira preocupaçom foi a ortofonia “como caralho se lerão o “ç” e o “ss”?”, mas fum-me informando e vendo… e pouco a pouco fum aprendendo. Ainda assim, até o ano seguinte nom me atrevi a escrever em reintegrado, nom sabia o suficiente. Mas descubri que, pouco a pouco, havia muito mais galego reintegrado. Cartazes, graffities, canções… por muito que o ocultaram, ele fazia por se mostrar. E foi lendo artigos como di o passo a falar galego a diarinho, com todo o mundo por muito que se estranhassem, e foi como cresci como pessoa e me converti no que agora sou.

Por tudo isto é polo que lhe dedico este artigo e esta ligaçom. Ele merece-o. E ainda que o portal ultimamente nom me agrada tanto (sobretudo pola pouca actualizaçom das descargas, que era do que mais gostava), recomendo a todo o mundo que a visite.